janeiro 30, 2010
Heidegger: o Si Mesmo é distinto do Eu, do Tu, do Nós e do Vós
Heidegger distinguiu entre o si mesmo, por um lado, como fonte originária, e o eu, o tu, o nós, o vós, como canais adjacentes, também originários, que escoam a água dessa fonte:
«O carácter da mesmidade não é uma determinação distintiva do eu, mas o homem como ele mesmo é, simultaneamente e de modo igualmente originário, eu e tu, e nós, e vós.»
«Tem de se sublinhar: o homem não é um si mesmo porque ele é um eu, mas, pelo contrário, ele só pode ser um eu, porque ele é na essência um si mesmo. O ele mesmo nem é limitado pelo eu nem é reconduzível ao eu. Por isso, a partir do si mesmo bem compreendido, nenhum caminho conduz em direcção ao eu como fundamento da essência.»
(Martin Heidegger, Lógica, a pergunta pela essência da linguagem, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, pag 88; o negrito é nosso).
Parece-me que Heidegger indica o si mesmo como um conteúdo originário e o eu, o tu, o nós e o vós como formas de apropriação desse conteúdo. Isto lembra muito Zubiri com a sua tese de que o em si mesmo – em espanhol: de suyo – é a realidade primordial e não a essência completa ou a existência que seriam momentos “posteriores".
Sem ter consultado Heidegger, atrevo-me a dar dois exemplos possíveis do em si mesmo: «ser inteligente como si mesmo», «si mesmo de ser historiador». Eu ou tu participamos no Si Mesmo Inteligente e no Si Mesmo Historiador - à moda da participação dos seres sensíveis nas formas inteligíveis do mundo superior, em Platão - e por conseguinte, o meu «eu» e os nossos «eus» não delimitam nem fundamentam o Si Mesmo Inteligente e o Si Mesmo Historiador, mas fundam-se materialmente, de certo modo, nestes. Por outro lado, o Si Mesmo Inteligente e o Si Mesmo Historiador não são géneros onde "eu" e "tu" cabemos por inteiro como indivíduos, tal como as ideias metafísicas em Platão não eram géneros nem espécies das coisas materiais mas sim paradigmas, modelos únicos singulares.
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janeiro 23, 2010
Aristóteles: Materia sensible y Materia inteligible
Aristóteles distinguió una materia inteligible (hýlê noetê) que es sustrato inteligible de la forma- ejemplo: el ángulo recto inmaterial es una forma que se compone de dos rectas que son materia inteligible - y una materia sensible (metà tês hýles) que es sustrato material de la forma– ejemplo: el ángulo recto material, plasmado en bronce o hierro, es una forma que se compone de dos rectas que son materia sensible.
Al explicar el concepto «De algo, a partir de algo» (Ék tinos), Aristóteles distingue entre la materia sensible y la materia propia de la forma específica o esencia:
«En otro sentido, como la forma específica procede de una de sus partes: así, «hombre» procede de «bípedo», y la sílaba del elemento, de manera distinta, ciertamente, a como la estatua procede del bronce: en efecto, la sustancia compuesta procede de la materia sensible, mientras que la forma específica procede de la materia que es propia de la forma específica» (Aristóteles, Metafísica, Libro V, 1023a, Editorial Gredos, Madrid, pag 254).
Y de forma algo enigmática escribió:
«Por lo demás, hay una materia inteligible y una materia sensible, y en la definición siempre lo uno es materia y lo otro es acto, por ejemplo, el círculo es una «figura plana». (Aristóteles, Metafísica, Libro VIII, 1045a,).
Nuestra interpretación de este pasaje es: el círculo es una esencia, una forma inteligible, que toma su materia inteligible del género figura plana. Respecto a la especie, el género funciona como materia – es decir, principio pasivo y recipiente, «campo ancho» donde se plasma la forma de la especie trigo, centeno, maíz, etc.
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